Para comemorar 75 anos de sua fundação, o Racing Club de France, de Paris, idealizou em 1957 o Torneio Internacional de Paris. Para abrilhantar a festa, foram convidados três times que representavam grandes forças no momento. Naquela primeira edição, o campeão carioca Vasco batia o então bicampeão (posteriormente penta) Real Madrid por 4x3.
O torneio virou tradição, e se tornou uma das referências de grandes torneios disputados na Europa nos ditos "Anos Dourados" e teve um total de 30 edições. Consistia sempre em um torneio disputado, normalmente após o fim da temporada europeia, no estádio Parc des Princes com a participação de quatro equipes, que disputavam um "mata-mata" para chegar ao título (apenas em 2010 foi um quadrangular em pontos corridos). As primeiras dez edições (1957 a 1966) foram organizadas pelo Racing; em 1973 a competição retornou, mas organizada desta vez pelo Paris FC; e de 1975 a 1993 seria realizado com apenas uma interrupção, e organizado pelo Paris Saint-Germain, que com dificuldades financeiras abandonou o torneio. Este acabou sendo disputado mais uma vez em 2010, coincidentemente para comemorar o aniversário do anfitrião, o Paris Saint-Germain, que completava 40 anos.
Em junho de 1960, graças ao bom retrospecto anterior, o Santos foi convidado para jogar a quarta edição do certame. A exemplo das edições anteriores (e posteriores), entre as forças europeias havia também um clube brasileiro. O Peixe, que vivia sua melhor fase e que seria campeão paulista naquele ano, acabou por pintar a França de branco e preto. Primeiro venceu inapelavelmente o Stade de Reims por 5x3. Na final, dois dias depois, contra o time anfitrião, aplicou uma goleada para se tornar campeão do Torneio de Paris pela primeira vez.
Os participantes daquela edição foram:
Racing Club de France (clube anfitrião)
CDNA Sofia (atual CSKA Sofia - campeão búlgaro nas 7 temporadas anteriores ao torneio)
Stade de Reims (campeão francês de 1960, vice-campeão europeu em 1956 e 1959)
Santos Futebol Clube (vice-campeão brasileiro de 1959, campeão do Rio-São Paulo no mesmo ano; campeão paulista em 1955, 56 e 58, vice em 57 e 59)
Confira os jogos da competição:
07/06/1960 Racing Paris 2 x 0 CDNA Sofia
07/06/1960 Santos 5 x 3 Stade de Reims Local:Estádio Parc des Princes - Paris/França Árbitro: De Villières Gols santistas: Coutinho (3), Pelé e Pepe
Santos:Laércio; Calvet, Mauro, Formiga e Zé Carlos; Zito e Mengálvio (Ney); Dorval, Coutinho, Pelé e Pepe (Tite). Técnico: Lula
Vídeo:
Decisão do 3º lugar
09/06/1960 Stade de Reims 1 x 1 CDNA Sofia
FINAL
RACING C.F. 1 x 4 SANTOS F.C. Data: 9 de junho de 1960 Local:Estádio Parc des Princes - Paris/França Juiz:Maurice Frederic Guigue Gols: Pelé aos 22' do 1º tempo e aos 11' do 2º; Pepe aos 26', Ujlaki aos 33' e Coutinho aos 42' do 2º tempo. Racing:Taillandier; Lelong, Herbin e Marche; Tibari e J.J. Marcel; Grillet, Toena, Ujlaki, Senae e Heutte. Santos:Laércio; Calvet (Getúlio), Mauro e Zé Carlos; Formiga e Zito; Dorval, Mengálvio, Coutinho, Pelé e Pepe (Tite). Técnico: Lula
Vídeo:
Campanha do Santos:
2 jogos | 2 vitórias | 9 gols marcados | 4 gols sofridos | Saldo de gols: 5
1962 foi um grande ano para o futebol brasileiro. O time que conquistara o título mundial na Suécia em 1958 era praticamente o mesmo para também repetir, no Chile, a conquista da Copa do Mundo. E não bastasse ter a melhor seleção nacional do mundo, o Brasil também teria naquele ano o melhor time do mundo que, como é de se imaginar, era uma das bases daquele selecionado inesquecível. O goleiro Gilmar, o zagueiro e capitão Mauro, Zito (que marcou um gol na final vencida por 3x1 diante da Tchecoslováquia), Pelé, Mengálvio, Coutinho e Pepe eram os atletas que conseguiriam o feito de alcançar o topo do mundo duas vezes num mesmo ano.
O ano do cinquentenário santista foi um dos mais especiais que um clube esportivo pode ter. Foi o ano em que o Santos Futebol Clube alcançou o máximo que um time de futebol pode alcançar: o título mundial. A temporada de 1962 representou um feito que até hoje nenhum clube brasileiro conseguiu igualar: só o Peixe conseguiu, num mesmo ano, ser campeão estadual, nacional, continental e mundial. O Peixe ganhou tudo o que disputou, e só não ganhou o Rio-São Paulo porque não disputou, pois dava show numa sequência de amistosos pela América do Sul no início do ano, se preparando para disputar - e vencer - a Copa Libertadores da América de 1962.
A época do futebol-arte vivenciava suas primeiras competições internacionais interclubes. No geral, o futebol só havia se desenvolvido na Europa e na América do Sul, continentes onde o futebol já se tornara profissional até os anos 30. Nos demais continentes, havia poucos campeonatos nacionais e clubes que não tinham nível para bater de frente com sul-americanos e europeus. A primeira competição continental a ser disputada com regularidade foi a Copa dos Campeões Europeus (hoje Liga dos Campeões da Europa), em 1955/56. Anos antes, o secretário geral da UEFA Henri Delaunay (falecido em 1954), que também fora dirigente da FIFA, pretendia repetir em âmbito clubístico o que já era feito pelas seleções nacionais: um campeonato mundial.
A ideia só se aplicou em 1960, quando se realizou a primeira edição do Campeonato Sul-Americano de Clubes Campeões, posteriormente rebatizada com o nome de seu troféu, a famosa Taça Libertadores da América. No final deste ano, os campeões sul-americano (Peñarol) e europeu (Real Madrid) se enfrentaram para decidir quem seria o primeiro time a ostentar a glória de ser o melhor do mundo, se saindo melhor o esquadrão espanhol que já havia sido pentacampeão europeu.
Vale a pena lembrar que as demais competições continentais se formaram mais tarde, e demoraram mais ainda para alcançar o nível de organização do eixo Europa/América do Sul: A CONCACAF (Américas do Norte, Central e Caribe) formou seu campeonato continental em 1962, mas só passou a organizá-lo com regularidade em 1967, tendo um "buraco" em 2001; na África, começou em 1964, mas só em 1966 a disputa foi rigorosamente anual; na Ásia, houve uma primeira edição em 1967, mas quatro anos depois a competição foi abandonada e só retornou pra ficar em 1986; na Oceania, onde até hoje o futebol é semi-profissional, houve uma primeira edição do certame continental em 1987, mas só se firmou na temporada 2004/05. É fácil deduzir que por muitos anos a presença de times destes continentes era insignificante para uma disputa a nível mundial (podemos até pensar nas primeiras Copas do Mundo, que tiveram a quase totalidade de seleções da Europa e das Américas), sendo que hoje este raciocínio já não se aplica mais, ainda mais com o recentíssimo exemplo do campeão africano Mazembe, que chegou à final do último Mundial, mas não fez frente à campeã Internazionale.
A disputa tinha o aval da FIFA, sendo substituída pelo modelo atual (com campeões de todos os seis continentes) apenas em 2005, portanto qualquer tentativa de negar a oficialidade da Copa Intercontinental (nome oficial do Miundial Interclubes) é infundada, assim como negar aos clubes campeões desta os títulos legítimos de campeões mundiais. Até 1979, a disputa do torneio se dava em jogos de ida-e-volta, até que no ano seguinte, com a entrada da Toyota como patrocinadora, o Mundial passou a ser em jogo único no Japão, até a extinção da fórmula bicontinental em 2004.
Voltemos agora a 1962. O fato é que, naquele momento, com fantásticas exibições em amistosos e torneios jogados na América Latina e Europa, o Santos vinha sendo considerado o melhor time do mundo, mas para provar esta fama, era necessário chegar ao cobiçado título mundial.
Na Europa, o português Sport Lisboa e Benfica conseguia quebrar a hegemonia do Real Madrid, que conquistou as cinco primeiras edições da Liga dos Campeões. Em 1961, o clube de Lisboa tinha o melhor plantel de sua história, e desbancou na decisão do campeonato europeu o F.C. Barcelona, o mesmo que acabara com o sonho do hexa do grande rival. Em 1962, o adversário era, enfim, o esquadrão do Real Madrid, à época comandado por Puskás e Di Stéfano, que tentava recuperar a hegemonia no Velho Mundo. Mesmo com três gols do lendário craque húngaro, o Benfica contava com seu artilheiro, Eusébio, o melhor jogador português de todos os tempos, que marcou dois tentos e comandou a vitória por 5x3 que valeu o bicampeonato ao fortíssimo quadro português, jogando em Amsterdã (Holanda). Vale lembrar que este time era a base da seleção de Portugal que terminou em 3º lugar na Copa de 1966, vencendo o Brasil inclusive, tendo o mesmo centroavante Eusébio se tornado artilheiro do certame.
Na América do Sul, um adversário que também vivia seu auge naquela época. Para chegar à disputa do Mundial Interclubes de 1962, o Santos Futebol Clube primeiro foi campeão paulista em 1960, para se classificar e vencer a Taça Brasil de 1961. Daí, a disputa pelo título continental se deu com outra quebra de hegemonia: clicando aqui você poderá ver como o Peixe superou o bicampeão Peñarol para conquistar a Copa Libertadores de 1962, vencendo a partida decisiva pelo placar de 3x0 em Buenos Aires.
Santos e Benfica já se conheciam: no ano anterior, na final do Torneio de Paris, o Peixe batia as Águias por 6x3, num jogo onde destacava-se a atuação do novato Eusébio, que entrou no 2º tempo, quando o Santos vencia por 5x0, e marcou 3 gols. Inclusive, para os europeus, o jovem moçambicano já era considerado um novo rei do futebol, pelas suas grandes atuações em pouco tempo de clube, somado ao fato de que Pelé havia se machucado na 1ª fase e ficou fora do restante da Copa do Mundo do Chile. Naqueles dois jogos, porém, provar-se-ia exatamente o contrário.
A disputa do Mundial Interclubes de 1962 se dava em dois jogos, sendo que quem somasse mais pontos seria o campeão. Em caso de empate em número de pontos, seria disputado um terceiro jogo, com a finalidade de desempatar a contenda.
O primeiro encontro entre os campeões europeu e sul-americano daquele ano se deu na noite de 19 de setembro de 1962, uma quarta-feira, no Maracanã. O Alvinegro não jogou um futebol muito inspirado, e venceu por 3x2 um jogo muito equilibrado, com Pelé (2 vezes) e Coutinho marcando para o time brasileiro, e Santana marcando os dois tentos portugueses.
Confira a ficha técnica e o raro vídeo com lances do jogo:
SANTOS F.C. 3 x 2 S.L. BENFICA Data:19 de setembro de 1962 Local: Maracanã - Rio de Janeiro/GB Público: 86.047 pagantes - total de 94.129 Árbitro: Rubén Cabrera (Paraguai) Gols: Pelé aos 31' do 1º tempo; Santana aos 8', Coutinho aos 19', Pelé aos 40' e Santana aos 43' do 2º tempo. Santos: Gilmar; Lima, Mauro, Calvet e Dalmo; Zito e Mengálvio; Dorval, Pelé, Coutinho e Pepe. Técnico: Lula Benfica: José Rita; Ângelo, Raul, Humberto, Cavem e Cruz; Coluna e Santana; José Augusto, Eusébio e Simões. Técnico: Fernando Riera Vídeo:
Com este resultado, o empate era o suficiente para o Alvinegro Praiano. Porém, os portugueses acreditavam, embasados no que ocorrera no jogo de ida, certamente na partida de volta, no Estádio da Luz, em Lisboa, o Benfica alcançaria a desejada vitória. Em três semanas, poderia surgir um novo campeão. Para os benfiquistas, a virada era possível, prova disso é que já eram vendidos ingressos para o 3º jogo, que estava programado para ocorrer no mesmo Estádio da Luz. Não tinham ideia do que viria. O camisa 10 do Santos e do Brasil foi provar mais uma vez que é o Rei do Futebol: simplesmente teve uma atuação inacreditável, talvez a melhor de sua brilhante carreira. Não só ele, mas sim todo o time santista, protagonizou aquela que é tida como sua melhor exibição na história, e valendo a honraria de ser indiscutivelmente conhecido como o melhor time do mundo.
Às 22:00 (horário de Lisboa - 19:00 em São Paulo) de 11 de outubro, uma quinta-feira, iniciava-se o segundo confronto entre Santos e Benfica. Para se ter ideia do que aquele jogo significou para o futebol brasileiro, pela primeira vez o programa de rádio A Voz do Brasil teve seu horário adiado para que as emissoras pudessem transmitir a partida. Vale a pena lembrar que o rádio era o meio de comunicação mais popular à época.
Desde o início do jogo, ambos os times buscam o ataque e criam oportunidades de gol. Mas só aos 17 minutos é que sai o primeiro gol, e é do Santos. Pepe avança pela esquerda e chuta cruzado; a bola passa pelo goleiro Costa Pereira e Pelé, com puro oportunismo, desvia de carrinho a bola para o fundo das redes, abrindo a contagem no marcador do Estádio da Luz.
Ao Benfica, restava tentar a virada, e o quadro português vai pra cima do Peixe, criando mais chances de gol. Ao mesmo tempo que conseguia arrematar, também a defesa santista evitava que mais oportunidades de empate surgissem, assegurando a vantagem parcial. Determinado a garantir o título, o Santos também partiu ao ataque, e aos 26 minutos, Zito toca para Pelé, que Deixa Cavem no chão e passa por mais dois portugueses antes de soltar uma bomba no canto esquerdo do goleiro. Golaço!
O gol esfria os ânimos da torcida local e também o ímpeto do time da casa. Com isso, o Alvinegro domina o jogo até o final do primeiro tempo, e por pouco a vantagem no placar não acaba maior. Ao fim do primeiro tempo, os desolados torcedores portugueses fazem ainda questão de aplaudir o time santista, que vinha dando show. E nos 45 minutos decisivos, teria bem mais...
O segundo tempo começa e o Santos já parte pra liquidar a fatura: aos 3', Pelé recebe de Lima e escapa de dois defensores, e ainda dá uma meia-lua em Cruz, fazendo um cruzamento rasteiro na medida para Coutinho, que nem precisa sair do lugar e só tem trabalho de empurrar a bola para o gol. 3x0 numa belíssima jogada. O título mundial estava garantido.
Os locais ainda se encontravam dispostos a, quem sabe, reverter a situação. Inútil. Quando conseguem transpor a defesa santista, simplesmente não atingem o alvo. O jogo fica bonito de se ver, bastante aberto, e nos 90 minutos, jogadas violentas são rara exceção. Um exemplo de Fair Play marcara a decisão do Mundial de 1962, e além disso, as obras-primas de Pelé continuavam a ser produzida em gramados portugueses: a vítima da vez foi Coluna, que tomou na sequência, uma meia-lua e uma "caneta" do Rei, em mais uma jogada que precederia um golaço. Sim, depois do show de dribles, Pelé aparece em velocidade no lado esquerdo, deixando três portugueses para trás e desferindo um potente chute de esquerda. Costa Pereira espalma, mas Pelé, voando baixo, rebate a bola para a meta benfiquista, marcando um gol antológico, o terceiro tento dele no jogo.
Com o passar do tempo, o Santos domina a partida, mas o orgulhoso campeão europeu ainda luta. E o jovem ponta-esquerda Simões aparece como a esperança de seu time, levando a melhor quase sempre no mano-a-mano contra o veterano lateral-direito Olavo, 34 anos, e levando algum perigo ao gol da equipe brasileira.
O cronômetro marcava 31 minutos e o Santos toca a bola. Um zagueiro do Benfica desarma, e a bola sobra tranquilamente para Costa Pereira segurar. Porém, o arqueiro português escorregou na grama e não segurou a bola, que sobrou de graça para Pepe marcar, segundo ele, o gol mais feio de sua carreira. O campeão sul-americano já vencia por 5x0, fora o espetáculo. E ainda o Santos pressionava, buscando dilatar ainda mais a irreversível diferença no placar.
Porém, a luta e a vontade das Águias seria recompensada: nos minutos finais, Eusébio e Simões balançariam as redes de Gilmar, descontando a goleada, mas isto ainda seria insignificante diante da atuação histórica dos santistas, que após o apito final, pôde ter, definitivamente, o mundo a seus pés. Os europeus não tiveram escolha senão se curvar diante da realeza da bola, que se apresentou de maneira ímpar naquela histórica noite.
Confira a ficha técnica e o vídeo sobre o grande jogo:
S.L. BENFICA 2 x 5 SANTOS F.C. Data:11 de outubro de 1962 Local: Estádio da Luz - Lisboa (Portugal) Público: cerca de 80.000 Árbitro: Pierre Schwinte (França) Gols: Pelé aos 17' e aos 26' do 1º tempo; Coutinho aos 3', Pelé aos 19', Pepe aos 31', Eusébio aos 41' e Simões aos 44' do 2º tempo. Benfica: Costa Pereira; Jacinto, Raul, Humberto, Cavem e Cruz; Coluna e Santana; José Augusto, Eusébio e Simões. Técnico: Fernando Riera Santos: Gilmar; Olavo, Mauro, Calvet e Dalmo; Zito e Lima; Dorval, Pelé, Coutinho e Pepe. Técnico: Lula Vídeo:
Este pode, com méritos, ser chamado de "time dos sonhos" do Santos Futebol Clube. Corresponde ao onze selecionado para o primeiro jogo da final do Mundial Interclubes de 1962, realizado no Maracanã.
Em pé: Lima, Zito, Dalmo, Calvet, Gilmar e Mauro. Agachados: Dorval, Mengálvio, Coutinho, Pelé e Pepe.
No segundo jogo, Mengálvio não jogaria em virtude de lesão, entrando em seu lugar o lateral-direito Olavo, deslocando Lima para o meio-campo.
Estes dois troféus, que representam as conquistas das Copas Intercontinentais de 1962 e 1963 pelo Santos F.C., são também os dois primeiros títulos mundiais de clubes conquistados por times brasileiros.
Fontes:
Cunha, Odir. Donos da Terra: a história do primeiro título mundial do Santos. Realejo, Santos (2007) http://pt.wikipedia.org/
Há exatos 3 anos, acontecia nossa disputa mais recente pela Taça Libertadores da América. Não havíamos começado tão bem, após empatar por 0x0 com o Cúcuta (fora), vencer no sufoco o Chivas Guadalajara por 1x0 na Vila e depois perder por 2x1 para o San José na altitude de 3.700 m de Oruro, na Bolívia.
Mas no segundo turno da fase de grupos, e jogando em casa, o Santos reagiu e se vingou com estilo do time boliviano. O clube do coração do presidente Evo Morales mostrou que só jogava com o fator ambiental a seu favor e não ofereceu resistência. Por outro lado, o meia Mauricio Molina fez sua melhor partida com a camisa do Peixe e marcou 4 gols, sendo importantíssimo para construir a maior goleada da Libertadores 2008, vencida pela LDU. Foi também a segunda maior goleada de um time brasileiro na história da Copa Libertadores, atrás apenas de outra vitória santista na Vila Belmiro, por 9x1 sobre o Cerro Porteño em 1962.
Com show de Molina, Santos faz 7 e encosta no líder
O Santos contou com a boa atuação e quatro gols marcados pelo meia colombiano Molina para aplicar a maior goleada da edição deste ano da Libertadores da América. A equipe bateu os bolivianos do San José por 7 a 0 na noite de hoje, na Vila Belmiro, e se aproximou da primeira posição do Grupo 6 da competição continental.
Com a vitória, a segunda no torneio, os comandados do técnico Emerson Leão superaram a recente eliminação do Campeonato Paulista e foram aos sete pontos no grupo, permanecendo um atrás do Cúcuta Deportivo, da Colômbia, que segue na ponta.
Ao mesmo tempo em que se aproximou da vaga nas oitavas-de-final da Libertadores, o Santos bateu um dos seus principais rivais à próxima fase. Com a derrota, os bolivianos permanecem na terceira posição, com quatro pontos, à frente apenas dos mexicanos do Chivas Guadalajara, que têm um a menos.
Atuando diante de um adversário que não apresentou resistência em momento algum da partida, o time da Baixada criou chances de abrir o placar já nos primeiros minutos. Aos 7min, Wesley dominou sozinho dentro da área, mas finalizou mal, por cima da meta boliviana.
Porém, a equipe alvinegra não demorou para balançar as redes. Dez minutos depois da chance desperdiçada, o zagueiro Domingos aproveitou bom cruzamento do lateral Kléber e subiu sozinho para cabecear contra a meta do goleiro Vaca.
Empurrado pelo público presente na Vila Belmiro, o Santos partiu para cima e começou a construir a goleada cinco minutos depois com o meia Molina. O colombiano dominou na entrada da área, tirou da marcação e finalizou com a perna esquerda.
Com liberdade para criar e sem ter o gol de Fábio Costa ameaçado, os donos da casa encontravam muita facilidade e ampliaram aos 32min. Após cruzamento de Wesley, a zaga boliviana se atrapalhou para afastar e devolveu nos pés de Molina. O meia bateu colocado com a perna esquerda e estufou as redes novamente.
No minuto seguinte, a situação do San José se complicou ainda mais, quando perdeu o zagueiro Palacios. O jogador do San José cometeu dura falta em Kléber e acabou expulso pelo árbitro uruguaio Líber Prudente, deixando seu time com um a menos.
Na volta do intervalo, o time de Leão não diminuiu o ritmo e continuou pressionando os adversários. Aos 18min, em nova assistência de Kléber, Molina completou cruzamento de primeira e acertou o ângulo dos bolivianos, sem chance de defesa para o goleiro Vaca.
Após as entradas de Tiago Luís, Fabão e Quiñonez, nas vagas de Wesley, Denis e Rodrigo Tabata, a equipe da casa passou a ameaçar os bolivianos com menos frequência e só voltou a balançar as redes aos 34min, quando o artilheiro Kléber Pereira, em posição de impedimento, escorou cobrança de falta pela esquerda e anotou o quinto dos santistas.
Dois minutos depois, o equatoriano Quiñonez aproveitou a oportunidade de Leão e deixou o seu gol, o primeiro com a camisa do Santos. O atacante tabelou com Kléber, que teve participação direta em quatro gols, e chutou forte da esquerda.
Antes do apito final, aos 41min, ainda deu tempo de Molina deixar mais um nas redes adversárias. O meia foi acionado no setor direito do ataque santista, cortou a marcação para o meio e finalizou cruzado, com a perna esquerda, anotando o seu quinto gol na competição. Com a boa atuação, o colombiano passa a ser o artilheiro da Libertadores, ao lado dos cruzeirenses Marcelo Moreno e Ramires.
Na próxima quarta-feira, o Santos volta a entrar em campo no torneio continental contra o Chivas, na cidade mexicana de Guadalajara. Um dia antes, o San José tenta a recuperação em casa diante do líder Cúcuta, em Oruro.
Molina foi o nome do jogo ao balançar as redes 4 vezes na goleada santista
Confira a ficha técnica e dois vídeos com os gols do jogo. O primeiro mostra uma reportagem do dia seguinte e o segundo mostra os gols muito bem filmados direto da arquibancada do Estádio Urbano Caldeira:
SANTOS F.C. (Brasil) 7 x 0 C.D. SAN JOSÉ (Bolívia) Local: Estádio Urbano Caldeira (Vila Belmiro), em Santos (SP) Data: 1° de abril de 2008, terça-feira Horário: 20h30 (de Brasília) Árbitro: Líber Prudente (Uruguai) Assistentes: Pablo Fandiño e Mauricio Espinoza (ambos do Uruguai) Público: 8.340 pagantes Cartões amarelos: Kléber Pereira (Santos-BRA); Sandro Coelho e Alex da Rosa (San José-BOL) Cartão vermelho: Palacios (San José-BOL) Gols: Domingos aos 17' e Molina aos 22' e 32' do 1º tempo; Molina aos 18', Kléber Pereira aos 34', Quiñónez aos 36', e Molina aos 41' do 2º tempo. Santos: Fábio Costa; Denis (Fabão), Betão, Domingos e Kléber; Marcinho Guerreiro, Rodrigo Souto, Rodrigo Tabata (Quiñónez) e Molina; Wesley (Tiago Luís) e Kléber Pereira. Técnico: Emerson Leão San José: Vaca; Parada, García, Palacios, De Castro e Alvarenga; Rivera, Coelho, Peña (Saucedo) e Cerutti (Morejón); Alex da Rosa (Palavicini). Técnico: Marcos Ferrufino
(Fonte: http://fichadojogo.wordpress.com/2008/05/28/2ª-fase-grupo-6/)
Em 1962, já não se havia dúvidas de qual era o melhor clube do Brasil. O campeão brasileiro não teve muita folga; apenas 11 dias depois de golear o Bahia na final da Taça Brasil de 1961, o Alvinegro já estava no Equador vencendo o Barcelona S.C., de Guayaquil, por 6x2. O time desfilou, naquele início de ano, pelos gramados sul-americanos com um objetivo em mente. Depois de alcançar a hegemonia estadual e de se firmar como campeão da principal competição nacional, o time agora almejava vôos maiores: o clube já se tornava campeão de diversos torneios amistosos disputados na Europa e América Latina, e agora o Santos Futebol Clube podia conquistar seu primeiro título internacional oficial: a Copa Libertadores da América de 1962. Para não repetir o fracasso do Bahia em 1960 (eliminado na fase inicial pelo San Lorenzo, da Argentina) e também não ficar no "quase" como o Palmeiras (que perdeu na decisão para o Peñarol, do Uruguai) na edição anterior, o elenco circulou pelo continente e teve 8 vitórias, 1 empate e 1 derrota diante de algumas das melhores equipes dos países visitados, entre elas o campeão argentino Racing, que foi goleado por 8x3.
A Taça Libertadores (que nasceu com o nome de Campeonato Sul-Americano de Clubes Campeões, depois foi rebatizada com o nome do troféu) teve sua primeira edição em 1960, e tinha (como tem até hoje) o objetivo de determinar o campeão sul-americano. Também tinha como objetivo inicial credenciar o clube campeão à disputa do Mundial Interclubes, que havia sido criado no mesmo ano numa parceria da FIFA com a CONMEBOL e a UEFA, que organizava desde 1955 a Copa dos Campeões Europeus (atualmente conhecida como Liga dos Campeões da Europa). A Libertadores foi criada nos mesmos moldes do campeonato europeu, envolvendo nas suas primeiras disputas apenas os campeões nacionais.
Na sua primeira edição, sete países foram representados, entre eles o campeão brasileiro de 1959, o Bahia. O campeão acabou sendo o uruguaio Peñarol. Na segunda edição, todos os nove países filiados tinham seus campeões inscritos no torneio, que foi vencido novamente pelo Peñarol, que venceu o Palmeiras na decisão.
A terceira edição da Taça Libertadores da América teve 10 participantes: eram os nove campeões nacionais do continente em 1961, além do campeão continental do mesmo ano, o Peñarol. Este já entrava nas semifinais, enquanto os demais clubes eram distribuídos em três grupos, cada um com três times. Os vencedores dos respectivos grupos se classificavam às demais vagas na fase semifinal. Nas semifinais e final, seguia-se o modelo que era reproduzido, inclusive, na Taça Brasil: eram disputados dois jogos, e quem somasse mais pontos se classificava (ou, no caso da final, era o campeão). Em caso de empate no número de pontos, era jogada uma partida de desempate em campo neutro. Caso esta partida terminasse sem vencedor, mesmo após a prorrogação, o primeiro critério de desempate era o saldo de gols.
Assim, o Santos entrou no Grupo 1, com o Deportivo Municipal, da Bolívia, e o Cerro Porteño, do Paraguai. Apenas 9 dias depois de jogar sua última partida pela excursão citada no primeiro parágrafo, o time brasileiro estreou vencendo na altitude de La Paz, por 4x3, e na rodada seguinte despachou os bolivianos com um 6x1. Ao enfrentar o campeão paraguaio, o Alvinegro teve dificuldades no jogo disputado em Assunção, que terminou empatado. Porém, na Vila Belmiro, o Santos dependia de um empate para se classificar, mas deu um show e conseguiu aquela que é sua maior goleada em um campeonato internacional: um sonoro 9x1, que até hoje aparece no top 5 das maiores goleadas da Copa Libertadores.
Nas semifinais, a parada foi mais difícil: num jogo disputado em Santiago (Chile), Santos e Universidad Católica ficaram no 1x1. No jogo de volta, Zito marcou o tento solitário que levou o clube da Baixada Santista à final. O seu adversário? Era o campeão mundial de 1961, um time das cores amarela e preta, que havia simplesmente vencido as duas edições do certame continental disputadas até então e na terceira edição chegava à terceira final: era o Club Atlético Peñarol, sem dúvida outro que foi um dos maiores do mundo naqueles anos 60.
No primeiro jogo, que aconteceu em 28 de julho, o Peixe não tinha Pelé, machucado. Mesmo com o estádio Centenário repleto de fanáticos torcedores do Peñarol, o Santos não se intimidou e venceu de virada com dois gols de Coutinho.
No jogo de volta, cinco dias depois, o Santos tinha o famoso Alçapão da Vila a seu favor, mas saiu atrás com um gol do equatoriano Spencer, mas virou ainda no 1º tempo com Dorval e Mengálvio. Porém, no 2º tempo, o time uruguaio iniciou uma reação impressionante e aos 6 minutos já estava 3x2 para os aurinegros. O terceiro gol do Peñarol provocou reações hostis da torcida santista e, temerosos com a segurança, a arbitragem preferiu manter a partida em disputa até o fim do jogo, mas na prática já não valia mais nada. Pagão ainda havia feito o gol de empate aos 32', e o resultado dava o título ao Santos, com muita festa dos adeptos alvinegros e volta olímpica dos jogadores. Este jogo foi mais um daqueles episódios que merecem o título de "Noite das Garrafadas": mais adiante explicitarei mais detalhes sobre o ocorrido.
Porém as coisas não acabaram por aí. Dois dias depois, foi divulgado que o jogo havia durado 51 minutos apenas, e que o Peñarol, portanto, seria o vencedor da partida. Não restou outra opção: no histórico 30 de agosto de 1962, no Estádio Monumental de Núñez, em Buenos Aires, o Santos massacrou o adversário sem piedade e destruiu os sonhos do tricampeonato rival. Logo aos 11 minutos de bola rolando, Coutinho bateu cruzado e o defensor Caetano completa contra a própria meta. No segundo tempo, o recuperado Edson Arantes do Nascimento completou o espetáculo, marcando o segundo gol já aos quatro minutos. No finalzinho, o mesmo Pelé recebe passe de Coutinho, mata no peito e chuta com força para fechar o placar. O Santos F.C. era pela primeira vez campeão da Copa Libertadores da América e se tornava o primeiro clube brasileiro a conquistar um campeonato internacional.
Seguem listados os clubes que participaram da Taça Libertadores de 1962:
C.A. Peñarol (Uruguai)
Club Deportivo Municipal (Bolívia)
Club Cerro Porteño (Paraguai)
Santos F.C. (Brasil)
Club Nacional de Fútbol (Uruguai)
Club Sporting Cristal (Peru)
Racing Club (Argentina)
C.D. Universidad Católica (Chile)
C.D. Los Millonarios (Colômbia)
C.S. Emelec (Equador)
Seguem agora os jogos da 3ª edição da principal competição sul-americana, com fichas técnicas de todos os jogos do Santos:
1ª fase:
Grupo 1
11/02/1962 Deportivo Municipal 2 x 1 Cerro Porteño
15/02/1962 Cerro Porteño 3 x 2 Deportivo Municipal
18/02/1962 Deportivo Municipal 3 x 4 Santos
Local: Estádio Hernando Siles - La Paz/Bolívia
Árbitro: Airton Ayres Abreu
Gols: Aguilera, J. Torres e Ruiz Díaz (DM); Lima, Mengalvio, Pagão e Tite (S) Deportivo Municipal: Solís; Jorge Montes, Vargas e Di Lorenzo; Zenteno e Alcócer; A. Torres, Aguirre (Ruiz Díaz), Roberto Caínzo, J. Torres e Luis Aguilera.
Santos: Laércio; Getúlio, Olavo e Zé Carlos; Lima e Calvet; Dorval, Mengalvio, Pagão, Pelé e Osvaldo (Tite). Técnico: Lula
Gols: Dorval [2], Pagão [2], Coutinho e Pepe (S); Alberto Torres (DM) Santos: Laércio; Lima, Olavo e Getúlio; Zito e Formiga; Dorval, Mengalvio, Pagão, Pelé (Coutinho) e Pepe. Técnico: Lula
Deportivo Municipal:Solís; Jorge Montes, Vargas e Di Lorenzo; Zenteno e Alcócer; Alberto Torres, Aguirre, Roberto Caínzo (Ruiz Díaz), J. Torres e L. Aguilera
25/02/1962 Cerro Porteño 1 x 1 Santos
Local: Puerto Sajonia (hoje Defensores del Chaco) - Assunção/Paraguai
Árbitro: Luis Ventre
Gols:Cabrera e Dorval
Cerro Porteño:Pérez; Cantero, Monges, Breglia, Monín, D. Martínez, Pavón, Insfrán, A. Jara, P. Rojas e Cabrera. Santos: Laércio; Lima, Olavo e Getúlio; Zito e Calvet; Dorval, Mengalvio, Pagão (Tite), Coutinho e Pepe. Técnico: Lula
Santos: Gilmar; Lima, Mauro e Calvet; Zito e Dalmo; Dorval, Mengalvio, Pagão, Cabralzinho (Tite) e Pepe. Técnico: Lula
Universidad Católica:Walter Behrends; Eleodoro Barrientos, Washington Villarroel, Jorquera, Sérgio Valdés, Hugo Rivera, Osvaldo Pesce, Juan Nawacki, Alberto Fouilloux, Orlando Ramírez e Fernando Ibánez.
08/07/1962 Nacional 2 x 1 Peñarol
18/07/1962 Peñarol 3 x 1 Nacional
22/07/1962 Peñarol 1 x 1 Nacional
FINAL:
C.A. PEÑAROL 1 x 2 SANTOS F.C.
Data: 28 de julho de 1962
Local: Estádio Centenário - Montevidéu/Uruguai
Árbitro: Carlos Robles
Gols:Spencer aos 18' e Coutinho aos 28' do 1º tempo; Coutinho aos 15' do 2º tempo. Peñarol:Luis Maidana; Juan Vicente Lezcano e Núber Cano; Edgardo González, Roberto Matosas e Omar Caetano; Pedro Rocha, José Sasía, Cabrera (Moacyr), Alberto Spencer e Juan Joya. Técnico: Bela Guttman
Santos:Gilmar; Mauro, Calvet e Lima; Zito e Dalmo; Dorval, Mengalvio, Pagão, Coutinho e Pepe (Osvaldo). Técnico: Lula
SANTOS F.C. 2 x 3 C.A. PEÑAROL
Data: 2 de agosto de 1962
Local: Estádio Urbano Caldeira - Santos/Brasil
Árbitro: Carlos Robles
Gols:Spencer aos 15', Dorval aos 19' e Mengálvio aos 36' do 1º tempo; Spencer aos 4' e Sasía aos 6' do 2º tempo.
Santos:Gilmar; Mauro, Calvet e Lima; Zito e Dalmo; Dorval, Mengalvio, Pagão, Coutinho e Pepe. Técnico: Lula
Peñarol:Luis Maidana; Juan Vicente Lezcano e Núber Cano; Edgardo González, Roberto Matosas (Néstor Gonçalves) e Omar Caetano; Fernández Carranza, Pedro Rocha, José Sasía, Alberto Spencer e Juan Joya. Técnico: Bela Guttman
NOTA: Para a Confederação Sul-Americana de Futebol, foram jogados 51 minutos oficialmente e 39 minutos em caráter amistoso. Extraoficialmente, o jogo acabou empatado por 3x3, pois Pagão havia marcado aos 32' do 2º tempo. O árbitro paraguaio Carlos Robles encerrou o jogo após o 3º gol do Peñarol, alegando falta de garantias de segurança, mantendo a partida até o fim porém amistosamente. No dia seguinte, os jornais estampavam "Santos, Campeão da América"... isto é, ninguém sabia que o juiz tinha encerrado a partida; isso só foi descoberto quando o mesmo apresentou a súmula... Esta foi uma partida extremamente conturbada, com os santistas reclamando de um pênalti não marcado sobre Coutinho (11') e outro sobre Pepe. Também reclamaram que os atacantes do time uruguaio haviam atirado areia nos olhos do goleiro Gilmar no lance que valeu o gol de empate (após cobrança de escanteio) e no terceiro gol, alegavam que Sasía cometera falta em Calvet. O resultado disso foi uma enorme confusão, com o árbitro alegando ter sido atingido por uma garrafa (fato este não confirmado, após exames médicos); um verdadeiro caos no gramado, partida interrompida por 1 hora e 25 minutos, até que finalmente o jogo recomeça. Pagão marca o que seria o gol do título, mas o clima continua quente na Vila Belmiro... mais uma garrafa é atirada no campo, agora atingindo o bandeirinha Domingo Massaro, e aí vão mais 10 minutos de paralisação (segundo o meio-campista Zito, a garrafa teria partido da diminuta torcida do Peñarol).
Recomeça novamente a partida e Mauro derruba um atacante uruguaio fora da área, porém o juiz corre para marcar pênalti (!), porém reconsidera e marca apenas falta... em seguida, Carlos Robles encerra a partida (aos 40' do 2º tempo).
*Esta é considerada a partida mais longa da história do Santos Futebol Clube.
*O jogo também foi recorde de renda em Santos (Cr$5.418.000,00), de certo devido aos preços altos dos ingressos.
Nesta foto, vemos um jogador do Peñarol com a garrafa que foi atirada na cabeça do bandeirinha Domingo Massaro (que aparece em segundo plano). Na foto também vemos o Mengálvio.
SANTOS F.C. 3 x 0 C.A. PEÑAROL
Data: 30 de agosto de 1962
Local: Monumental de Núñez - Buenos Aires/Argentina
Árbitro: Leo Horn (Holanda)
Gols:Caetano (contra) aos 11' do 1º tempo; Pelé aos 4' e aos 44' do 2º tempo.
Santos:Gilmar; Lima, Mauro e Dalmo; Zito e Calvet; Dorval, Mengalvio, Pelé, Coutinho e Pepe. Técnico: Lula
Peñarol:Maidana; Lezcano, Núber Cano, Caetano e Néstor Gonçalves; Edgardo González e Roberto Matosas; Pedro Rocha, José Sasía, Alberto Spencer e Juan Joya. Técnico: Bela Guttman
Assim o Santos se tornou pela primeira vez campeão da Copa Libertadores da América. Num encontro entre dois dos maiores esquadrões de todos os tempos, o time do glorioso manto branco levou a melhor, reforçando a crescente boa fama do futebol brasileiro, que vivia seus anos de ouro. O título sul-americano garantiu ao Alvinegro Praiano uma vaga contra o campeão europeu na disputa do Mundial Interclubes. O então campeão da Libertadores e do Mundial, o Peñarol, tinha um substituto à altura (ou até mais do que isso...).
Outro destaque do Peixe foi Coutinho, que acabou como artilheiro do campeonato, balançando as redes 6 vezes. Esta edição da Taça Libertadores foi a que teve a maior média de gols da história: 4,12 (107 gols em 26 jogos), sendo que o Santos contribuiu com 29 (27,1% do total), conseguindo uma média de 3,22 bolas na rede a cada partida jogada.
Abaixo segue um vídeo retirado do YouTube que fala sobre a final da Taça Libertadores de 1962, com direito aos gols do terceiro e decisivo jogo:
Como se sabe, uma final de Copa Libertadores é uma verdadeira guerra de nervos, num campeonato onde muitas vezes a raça suplanta a técnica. Em 1962, ambas se aliaram num time que sem dúvidas marcou o futebol mundial.
Nesta foto vemos Pelé no chão após uma dividida com um jogador do Peñarol, que aparece caído a seu lado.
Nesta foto vemos o zagueiro santista Mauro Ramos de Oliveira (capitão da Seleção Brasileira bicampeão mundial em 1962) carregando o troféu da Copa Libertadores da América.
O objeto que é alvo da cobiça dos clubes da América do Sul e que é uma verdadeira obsessão dos times brasileiros veio para o país primeiro para a Vila Belmiro.
Vale a pena reparar que o troféu ainda não tinha a base de madeira com as placas dos campeões, como é atualmente, até porque o Santos era o segundo time a conquistar a Taça, quebrando a hegemonia do Peñarol, vencendo o mesmo na grande final.
Em 1983, no Estádio Centenário, em Montevidéu (Uruguai), se deu a disputa do Torneio Vencedores da América, que contou com a presença dos clubes brasileiros e uruguaios que haviam sido campeões da Taça Libertadores da América:
Club Nacional de Fútbol (Uruguai - campeão em 1971 e 1980)
C.A. Peñarol (Uruguai - campeão em 1960, 1961, 1966 e 1982)
Santos F.C. (Brasil - campeão em 1962 e 1963)
Na galeria dos campeões continentais dos dois países, ficou faltando o Flamengo (campeão em 1981), mas mesmo assim a disputa tinha 6 títulos mundiais em campo, e um deles era o último na ocasião (Peñarol, 1982). Mesmo atuando num estádio que seus dois adversários tinham por casa, o Santos não se intimidou com a pressão da torcida nem com a força dos elencos rivais e conseguiu vencer os dois jogos, voltando ao Brasil com um troféu internacional na bagagem.
O torneio triangular foi disputado no sistema de pontos corridos. Abaixo seguem os placares dos jogos:
05/03/1983 Peñarol 3 x 2 Nacional
08/03/1983 Nacional 1 x 2 Santos
10/03/1983 Santos 3 x 0 Peñarol
A classificação final ficou assim, com o Santos campeão e o Peñarol vice:
Campanha do Santos:
2 jogos | 2 vitórias | 5 gols marcados | 1 gol sofrido | Saldo de gols: 4
Em 1998, o Santos conquistou seu título internacional mais recente. Numa década onde os grandes clubes brasileiros se destacaram com conquistas de torneios sul-americanos dos mais variados tipos, o Santos não vacilou e voltou a conquistar um troféu da CONMEBOL após 30 anos.
A Copa Conmebol foi criada em 1992, tendo sido disputada pela última vez em 1999, e se tornou a primeira competição sul-americana formada nos moldes da européia Copa da UEFA (atual Liga Europa). A corrente Copa Sul-Americana (que teve sua primeira edição em 2002) é tida como uma sucessora "melhorada" da Copa Conmebol, tomando como base a importância do torneio, formato de disputa e critério de seleção dos participantes. Porém, a ausência de outras competições continentais (Supercopa da Libertadores, Copas Mercosul e Merconorte) dá maior visibilidade ao torneio atual, em relação ao torneio dos anos 90.
Na época, o número de participantes na Copa Libertadores da América era de 21, e cada país tinha direito a 2 representantes, sendo que o país do time campeão da edição anterior tinha 3 (o 3º participante era o próprio campeão). No Brasil, os times selecionados à disputa do principal campeonato continental eram os campeões do Campeonato Brasileiro e da Copa do Brasil.
Na Copa Conmebol, que era disputada por 16 clubes, o Brasil tinha direito a 4 vagas, e estas eram preenchidas pelo vice-campeão da Copa do Brasil e pelos times que ficavam do 2º ao 4º lugar no Campeonato Brasileiro. Sendo assim, o Santos teria sua primeira participação no torneio em 1996, pois havia sido vice-campeão brasileiro no ano anterior. Porém, vigorava naquele ano uma determinação da CBF que dizia que os times brasileiros não podiam disputar simultaneamente a Copa Conmebol e a Supercopa dos Campeões da Libertadores (esta era disputada por todos os times que já conquistaram a Copa Libertadores da América).
Porém, os deuses da bola conspiraram para que um dos clubes mais vitoriosos do futebol pudesse ter a chance de disputar a copa. No ano de 1997, a CBF passou a destinar duas das vagas aos campeões da Copa Norte e da Copa do Nordeste, sendo que as duas vagas restantes seriam preenchidas pelo 2º e 3º colocados do Campeonato Brasileiro. Em 1998, ocorreu o mesmo, e se classificaram o América/RN e o Sampaio Corrêa pelos títulos regionais de 1997. O Palmeiras, vice-campeão brasileiro no mesmo ano, foi impedido de disputar a Copa Conmebol pois havia uma determinação da CBF que impedia os clubes participantes da recém-criada Copa Mercosul de disputar também a Conmebol. Assim, sua vaga foi deixada para o 3º colocado, o Internacional, que não se interessou em disputar o torneio. A vaga, então, passou para o quarto colocado, o Atlético/MG, que abraçou a chance do tricampeonato. Havia mais uma vaga, que iria, pela lógica, ao 5º colocado, o Flamengo, que foi impedido de disputar exatamente pelo mesmo motivo que o Palmeiras. A vaga, então, foi "empurrada" ao sexto, a Portuguesa, que, assim como o Inter, abriu mão da vaga. O sucessor natural, então foi o 7º colocado do Brasileirão de 97, o Santos Futebol Clube, que aproveitou a oportunidade que não teve dois anos antes.
O torneio era disputado pelas 16 equipes participantes em mata-mata, em jogos de ida-e-volta. O Santos teve trabalho na 1ª fase, quando após derrotar o colombiano Once Caldas por 2x1 na Vila, perdeu fora pelo mesmo resultado e se classificou nos pênaltis. Nas quartas, eliminou um adversário que seria posteriormente bem conhecido dos clubes brasileiros: a LDU de Quito. Nas semifinais, encarou o surpreendente Sampaio Corrêa: depois de um 0x0 no primeiro jogo, o Santos chegou à final goleando o time maranhense por 5x1 num jogo que se tornou recorde de público - quase 98 mil pessoas assistiram à partida no Estádio Castelão, em São Luís/MA. Na final, pinta um duelo entre brasileiros e argentinos. Para triunfar em cima dos rivais e conquistar o sétimo troféu de uma competição internacional oficial (o São Paulo é o único clube brasileiro que nos ultrapassa, com 10 títulos), o Santos tinha que vencer o Rosario Central, que já havia ganho a Copa Conmebol em 1995, numa reação mais que assombrosa diante do Atlético/MG (após perderem o jogo de ida no Mineirão por 4x0, o time argentino reagiu e conseguiu devolver o placar no jogo de volta, levando o título nos pênaltis). Era, portanto, um adversário digno de muito respeito.
O jogo de ida foi disputado na Vila Belmiro: os dois times vieram com muita garra pra jogar a final, mas o futebol brasileiro saiu vitorioso. O Santos venceu por 1x0, com gol de Claudiomiro. Pancadaria também faz parte do jogo, que teve 5 atletas expulsos - três do Rosario e dois do Santos, que também teve o técnico Émerson Leão expulso. Duas semanas depois, num Gigante de Arroyito lotado, o clima era de guerra: confusões atrasam o jogo em 50 minutos, e o time santista estava disposto a segurar a vantagem que lhe asseguraria a taça. O Santos criou boas chances, mas o Rosario Central mostrou mais eficácia, obrigando o goleiro Zetti a fazer grandes e importantíssimas defesas. Como não poderia deixar de ser, o jogo foi muito catimbado, assim como o da Vila, e contou com mais duas expulsões - uma pra cada lado. Já é sabido que uma característica marcante dos campeonatos sul-americanos é que a raça é um fator decisivo, e esta sobrou no Peixe naquele memorável 21 de outubro de 1998. O placar final de 0x0 rendeu ao clube paulista o título da Copa Conmebol, e a recepção dos jogadores na volta a Santos foi digna de heróis, algo no mínimo compatível com o que foi mostrado em campo nas oito partidas do torneio.
Abaixo segue a lista dos participantes da VII Copa Conmebol:
Clube Atlético Mineiro (Brasil)
Santos F.C. (Brasil)
América F.C. (Brasil)
Sampaio Corrêa F.C. (Brasil)
Gimnasia y Esgrima L.P. (Argentina)
C.A. Rosario Central (Argentina)
C. Deportes Quindío (Colômbia)
C.D. Once Caldas (Colômbia)
C.A. River Plate (Uruguai)
C.S.D. Huracán Buceo (Uruguai)
Audax C. S. Italiano (Chile)
C. Jorge Wilstermann (Bolívia)
F.C. Melgar (Peru)
C. Cerro Corá (Paraguai)
LDU Quito (Equador)
Deportivo Italchacao (Venezuela)
Na sequência, os jogos da Copa Conmebol, com os jogos santistas em destaque, com links para as respectivas fichas técnicas:
1ª fase
15/07/1998 América/RN 0 x 0 Sampaio Corrêa
15/07/1998 Deportivo Italchacao 2 x 2 Deportes Quindío
O título da Copa Conmebol de 1998 não assegurava, porém, a participação na edição de 1999. Neste ano, a CBF destinou as quatro vagas brasileiras aos campeões da Copa Norte, da Copa do Nordeste, da Copa Sul e da Copa Centro-Oeste. Assim, o Peixe não teve chances de defender o título no ano seguinte. 1998 acabou sendo o único ano em que o Santos disputou a Copa Conmebol, e acabou levando a taça para a Vila Belmiro...