Há exatos 3 anos, acontecia nossa disputa mais recente pela Taça Libertadores da América. Não havíamos começado tão bem, após empatar por 0x0 com o Cúcuta (fora), vencer no sufoco o Chivas Guadalajara por 1x0 na Vila e depois perder por 2x1 para o San José na altitude de 3.700 m de Oruro, na Bolívia.
Mas no segundo turno da fase de grupos, e jogando em casa, o Santos reagiu e se vingou com estilo do time boliviano. O clube do coração do presidente Evo Morales mostrou que só jogava com o fator ambiental a seu favor e não ofereceu resistência. Por outro lado, o meia Mauricio Molina fez sua melhor partida com a camisa do Peixe e marcou 4 gols, sendo importantíssimo para construir a maior goleada da Libertadores 2008, vencida pela LDU. Foi também a segunda maior goleada de um time brasileiro na história da Copa Libertadores, atrás apenas de outra vitória santista na Vila Belmiro, por 9x1 sobre o Cerro Porteño em 1962.
Com show de Molina, Santos faz 7 e encosta no líder
O Santos contou com a boa atuação e quatro gols marcados pelo meia colombiano Molina para aplicar a maior goleada da edição deste ano da Libertadores da América. A equipe bateu os bolivianos do San José por 7 a 0 na noite de hoje, na Vila Belmiro, e se aproximou da primeira posição do Grupo 6 da competição continental.
Com a vitória, a segunda no torneio, os comandados do técnico Emerson Leão superaram a recente eliminação do Campeonato Paulista e foram aos sete pontos no grupo, permanecendo um atrás do Cúcuta Deportivo, da Colômbia, que segue na ponta.
Ao mesmo tempo em que se aproximou da vaga nas oitavas-de-final da Libertadores, o Santos bateu um dos seus principais rivais à próxima fase. Com a derrota, os bolivianos permanecem na terceira posição, com quatro pontos, à frente apenas dos mexicanos do Chivas Guadalajara, que têm um a menos.
Atuando diante de um adversário que não apresentou resistência em momento algum da partida, o time da Baixada criou chances de abrir o placar já nos primeiros minutos. Aos 7min, Wesley dominou sozinho dentro da área, mas finalizou mal, por cima da meta boliviana.
Porém, a equipe alvinegra não demorou para balançar as redes. Dez minutos depois da chance desperdiçada, o zagueiro Domingos aproveitou bom cruzamento do lateral Kléber e subiu sozinho para cabecear contra a meta do goleiro Vaca.
Empurrado pelo público presente na Vila Belmiro, o Santos partiu para cima e começou a construir a goleada cinco minutos depois com o meia Molina. O colombiano dominou na entrada da área, tirou da marcação e finalizou com a perna esquerda.
Com liberdade para criar e sem ter o gol de Fábio Costa ameaçado, os donos da casa encontravam muita facilidade e ampliaram aos 32min. Após cruzamento de Wesley, a zaga boliviana se atrapalhou para afastar e devolveu nos pés de Molina. O meia bateu colocado com a perna esquerda e estufou as redes novamente.
No minuto seguinte, a situação do San José se complicou ainda mais, quando perdeu o zagueiro Palacios. O jogador do San José cometeu dura falta em Kléber e acabou expulso pelo árbitro uruguaio Líber Prudente, deixando seu time com um a menos.
Na volta do intervalo, o time de Leão não diminuiu o ritmo e continuou pressionando os adversários. Aos 18min, em nova assistência de Kléber, Molina completou cruzamento de primeira e acertou o ângulo dos bolivianos, sem chance de defesa para o goleiro Vaca.
Após as entradas de Tiago Luís, Fabão e Quiñonez, nas vagas de Wesley, Denis e Rodrigo Tabata, a equipe da casa passou a ameaçar os bolivianos com menos frequência e só voltou a balançar as redes aos 34min, quando o artilheiro Kléber Pereira, em posição de impedimento, escorou cobrança de falta pela esquerda e anotou o quinto dos santistas.
Dois minutos depois, o equatoriano Quiñonez aproveitou a oportunidade de Leão e deixou o seu gol, o primeiro com a camisa do Santos. O atacante tabelou com Kléber, que teve participação direta em quatro gols, e chutou forte da esquerda.
Antes do apito final, aos 41min, ainda deu tempo de Molina deixar mais um nas redes adversárias. O meia foi acionado no setor direito do ataque santista, cortou a marcação para o meio e finalizou cruzado, com a perna esquerda, anotando o seu quinto gol na competição. Com a boa atuação, o colombiano passa a ser o artilheiro da Libertadores, ao lado dos cruzeirenses Marcelo Moreno e Ramires.
Na próxima quarta-feira, o Santos volta a entrar em campo no torneio continental contra o Chivas, na cidade mexicana de Guadalajara. Um dia antes, o San José tenta a recuperação em casa diante do líder Cúcuta, em Oruro.
Molina foi o nome do jogo ao balançar as redes 4 vezes na goleada santista
Confira a ficha técnica e dois vídeos com os gols do jogo. O primeiro mostra uma reportagem do dia seguinte e o segundo mostra os gols muito bem filmados direto da arquibancada do Estádio Urbano Caldeira:
SANTOS F.C. (Brasil) 7 x 0 C.D. SAN JOSÉ (Bolívia) Local: Estádio Urbano Caldeira (Vila Belmiro), em Santos (SP) Data: 1° de abril de 2008, terça-feira Horário: 20h30 (de Brasília) Árbitro: Líber Prudente (Uruguai) Assistentes: Pablo Fandiño e Mauricio Espinoza (ambos do Uruguai) Público: 8.340 pagantes Cartões amarelos: Kléber Pereira (Santos-BRA); Sandro Coelho e Alex da Rosa (San José-BOL) Cartão vermelho: Palacios (San José-BOL) Gols: Domingos aos 17' e Molina aos 22' e 32' do 1º tempo; Molina aos 18', Kléber Pereira aos 34', Quiñónez aos 36', e Molina aos 41' do 2º tempo. Santos: Fábio Costa; Denis (Fabão), Betão, Domingos e Kléber; Marcinho Guerreiro, Rodrigo Souto, Rodrigo Tabata (Quiñónez) e Molina; Wesley (Tiago Luís) e Kléber Pereira. Técnico: Emerson Leão San José: Vaca; Parada, García, Palacios, De Castro e Alvarenga; Rivera, Coelho, Peña (Saucedo) e Cerutti (Morejón); Alex da Rosa (Palavicini). Técnico: Marcos Ferrufino
(Fonte: http://fichadojogo.wordpress.com/2008/05/28/2ª-fase-grupo-6/)
Não há quem não se lembre da grande partida que decidiu o Campeonato Brasileiro de 2002: Corinthians 2 x 3 Santos, no Morumbi. E estes foram os relacionados para a bela virada, final do último Brasileirão com mata-mata até hoje.
Em pé: Alex, Preto, Pereira, Fábio Costa, Renato, Maurinho, Rafael, André Luís e Paulo Almeida.
Este jogo ainda está bem fresco na memória dos torcedores santistas. E também de muitos corinthianos. A diferença é que nós é que saímos vitoriosos. Completam-se 8 anos de um grande duelo que marcou o último Campeonato Brasileiro antes da atual Era dos Pontos Corridos. Naquele ano surgia mais uma geração que mereceu o título de Meninos da Vila, com jogadores que, não muito tempo depois, passariam pela seleção nacional, como o zagueiro Alex, o volante Renato, os meias Diego e Elano, e o atacante Robinho. O mesmo time-base acabou vice-campeão da Taça Libertadores no ano seguinte.
Os títulos mais recentes do Santos eram o Torneio Rio-São Paulo de 1997 e a Copa Conmebol de 1998. Com exceção destas duas conquistas, o Peixe não vivia grandes momentos e, por vezes ocorriam derrotas traumáticas. Às vésperas da grande final do Brasileirão '02, ainda estava engasgada a eliminação nas semifinais do Paulistão de 2001, com um gol de Ricardinho que decidia a a partida a favor do rival Corinthians. Era a chance de vingança contra o tradicional adversário.
Era comum, também, falarem num tabu de 18 anos sem títulos, o que não é verdade, uma vez que o tabu durou de 1984 a 1997, portanto o Santos já havia quebrado no Rio-São Paulo a péssima fase de 13 anos sem levantar um caneco de um campeonato oficial.
Este foi mais um duelo que marcou época, foi a consolidação de uma nova geração de craques, que ficará eternizado na memória de muitos torcedores (inclusive eu) e que confirmou tudo o que foi feito no "mata-mata", durante o qual mostramos que éramos melhores, desbancando favoritos e chegando ao tão sonhado título brasieiro, que não era vencido pelo Santos F.C. desde 1968. Os dois jogos da última final de Brasileirão até os dias atuais foram também o auge do último tabu do clássico Santos x Corinthians, no qual o Santos ficou 11 jogos seguidos sem perder para o rival, no decorrer de quase 4 anos. Já em 2002, tal escrita se iniciava, com vitórias santistas por 1x0 pelo Torneio Rio-São Paulo e por 3x1 em um amistoso.
O campeonato:
O Campeonato Brasileiro de 2002 - Série A era composto por 26 clubes, que na primeira fase jogariam entre si em turno único. As oito melhores equipes desta fase passavam às quartas-de-final, posteriormente semifinais e final. A segunda partida dos confrontos eliminatórios era disputada na casa do time de melhor campanha na primeira fase, que também tinha a vantagem do empate na soma dos resultados.
Durante a fase inicial, o Peixe alternou bons e maus momentos. Entre os bons, uma sequência invicta de 8 partidas, na qual goleou o Cruzeiro no Mineirão por 4x1 (resultado este que deixou o Santos na vice-liderança). O bi-mundial também não deu chances ao Flamengo numa convincente vitória por 3x0 e bateu com facilidade o Corinthians por 4x2, com direito a gol de bicicleta de Alberto, no Pacaembu. Este último se tornaria futuramente uma prévia da decisão que estaria por vir (veja vídeo do jogo abaixo):
No decorrer da competição, o time viu seu rendimento cair: no jogo que valeria a liderança do campeonato, o Santos encarou o São Paulo no Morumbi e acabou perdendo por 3x2. Na rodada seguinte, o Peixe perdeu pela primeira vez em casa, pra futuramente rebaixada Portuguesa, por 2x1. Depois, em Belém, a terceira derrota seguida, agora para o Paysandu: 2x1, jogo este que acabou em confusão.
Apesar disso, o Alvinegro estava com a classificação quase certa, a duas rodadas do final. Mesmo perdendo para a Ponte Preta na penúltima rodada (3x1 em plena Vila Belmiro), o Peixe era o sexto colocado e dependia apenas de um empate no último jogo para se garantir no G-8. Recordo-me que eram 99,76% de chances matemáticas de classificação. Porém, o já classificado São Caetano impôs um revés quase fatal: os demais resultados conspiravam para que aqueles insignificantes 0,24% se tornassem realidade, menos um, o jogo que nos salvou: o Coritiba, a esta altura, dependia de uma vitória para passar o Santos; os dois ficariam com 39 pontos, com o Coxa garantindo a última vaga por ter maior número de vitórias. Mas futebol é uma caixona de surpresas e o já rebaixado Gama venceu os paranaenses por 4x0. Como diria o programa Fantástico, da Globo, naquele dia: "Perder e ser feliz". O Santos era o 8º colocado, com 39 pontos, rumo às quartas-de-final, sendo superior ao Cruzeiro (9º) apenas no saldo de gols.
Se na primeira fase, o Santos teve sorte de campeão, no mata-mata, o futebol é que foi de campeão. Nas quartas-de-final o adversário era o líder São Paulo, que sobrou nos pontos corridos (52 pontos), mas não resistiu à decisão de fato: o San-São acabou com duas vitórias santistas, por 3x1 na Vila e 2x1 de virada no Morumbi.
Nas semifinais, o adversário era o Grêmio, 5º colocado na primeira fase (41 pontos). Alberto fez dois gols e Robinho completou o show com um de cobertura. Com o 3x0 na vila mais famosa do mundo, o gol solitário de Rodrigo Fabri no Olímpico não foi o suficiente: faltaram mais dois para os tricolores gaúchos, o Santos chegava à final do Brasileirão.
O Corinthians pretendia repetir no campeonato mais importante do país o sucesso do 1º semestre, quando conquistara o Torneio Rio-São Paulo e a Copa do Brasil. Fez uma boa primeira fase, se classificou com antecedência e completou as 25 rodadas iniciais no 3º posto, com 43 pontos. Nas quartas-de-final, eliminou o sexto colocado Atlético/MG com um 6x2 no Mineirão, com quatro gols de Deivid, e depois um 2x1 no Pacaembu. Nas semifinais, foi mais difícil: perdeu para o Fluminense no Maracanã por 1x0 no jogo de ida, mas na segunda partida, Guilherme fez o hat-trick e o Corinthians venceu por 3x2, se classificando por ter a melhor campanha (o Fluminense foi o 7º colocado, com 40 pontos).
O primeiro jogo:
Àquela altura, o sentimento dos santistas era o oposto daquele do começo da temporada. Um time que começava o campeonato nacional desacreditado e havia formado um elenco cheio de jovens atletas, muitos formados no clube, pensando em se livrar do rebaixamento, estava agora na final. De outro lado, os corinthianos estavam confiantes em um terceiro título no ano.
O Morumbi era o palco dos dois jogos da decisão, que ironicamente reunia os carrascos do São Paulo em 2002.
A primeira partida havia começado embaixo de chuva, mas isso não atrapalhou o espetáculo. O Santos, nos primeiros minutos, já havia criado três oportunidades de gol, e aos 15', um dos heróis do título, Alberto, recebeu belíssimo passe de Diego e tocou no meio das pernas do goleiro Doni, pondo sua marca no placar.
Alberto foi o artilheiro do Santos no Campeonato Brasileiro de 2002, com 12 gols, 4 deles na fase de mata-mata. Foi dele o 1º gol da primeira partida da final.
Aos 28', Guilherme mostrava que não era o dia dele, assim como uma semana depois também não seria. Na primeira chance boa do time da capital, o centroavante mandou por cima. No primeiro tempo, não haveriam outros momentos de destaque, fora o gol bem anulado de Alberto aos 35 minutos, após uma jogada interessante.
No início do segundo tempo, foi a vez do Corinthians partir pra cima. O time de Parque São Jorge levou perigo ao gol defendido por Fábio Costa em algumas oportunidades, dando emoção ao jogo, como aos 14', quando Deivid deu uma meia-lua no zagueiro, mas o arqueiro santista interviu bem. Aos 15 minutos e meio, Robinho recebe de Diego, consegue passar por Doni, mas é desarmado antes que pudesse finalizar. Foi o primeiro grande momento santista na segunda etapa.
O tempo passava e tanto Santos como Corinthians iam tendo oportunidades de mexer o placar, mas em vão. O Peixe começou a crescer novamente no embate: aos 30', Diego quase faz por cobertura; aos 32', após escorregão de Doni, quase a bola entra na cabeçada de Alex. No minuto seguinte, Robinho é puxado dentro da área, mas o árbitro não marca o pênalti claro.
Se nos primeiros 15 minutos pós-intervalo, só dava Corinthians, nos últimos 15 só deu Santos. O time de preto não conseguia mais acertar passes, e o 1x0 parecia cada vez mais o resultado definitivo. Porém aos 43 minutos, Kléber cobra lateral para Fabrício, que dá um presente para Robinho. O menino de 18 anos retribuiu servindo com categoria Renato, que chuta com classe na saída de Doni. A bola ainda toca na trave antes de entrar. Daí já não dava tempo pra mais nada: o Santos revertia a vantagem corinthiana e podia agora até perder por 1 gol de diferença no jogo decisivo.
Confira a ficha técnica do 1º jogo da final:
SANTOS F.C. 2 x 0 S.C. CORINTHIANS P. Data: 8 de dezembro de 2002 Local: Estádio do Morumbi - São Paulo/SP Árbitro: Antônio Pereira da Silva Gols: Alberto aos 15' do 1º tempo e Renato aos 43' do 2º. Cartões amarelos: Preto, Alberto e Renato (Santos). Santos: Fábio Costa; Michel, Preto, Alex e Léo; Paulo Almeida, Renato, Elano e Diego; Robinho e Alberto. Técnico: Émerson Leão Corinthians: Doni; Rogério, Fábio Luciano, Scheidt e Kléber; Vampeta, Fabrício e Renato (Leandro); Gil, Deivid (Marcinho) e Guilherme. Técnico: Carlos Alberto Parreira Melhores momentos:
Um jogo digno de uma final
Voltamos no tempo há exatos 8 anos e mais algumas horinhas. O país do futebol, que 5 meses e meio antes se tornara pentacampeão do mundo no esporte, presenciava a final de seu principal campeonato nacional. Era o melhor futebol do mundo descobrindo qual era o seu melhor time. Melhor do que uma grande final, era um clássico, e nada mais do que 9 títulos brasileiros em campo.
A missão do Corinthians era dura: vencer por pelo menos dois gols de diferença. Era certeza de entrega até o fim por parte dos jogadores e apoio total da torcida. Já os santistas queriam não só o suficiente para ser campeão, como gostariam de vencer mais um clássico. Desde o princípio, eram os nervos à flor da pele e 75 mil torcedores lotando o Morumbi para uma final épica.
O árbitro era Carlos Eugênio Simon, o mesmo que foi à Copa do Mundo e também quem apitou a final da Copa do Brasil. No duelo dos dois melhores times do país, tinha que ser escalado o melhor árbitro também.
O Santos não podia contar com o seu artilheiro, o atacante Alberto, que estava suspenso com 3 cartões amarelos. William foi quem ficou com a 9. E logo Simon apita o início da peleja, e as coisas começam a ficar piores pro time de Vila Belmiro: aos 10 segundos de jogo, Diego sente uma lesão logo após correr alguns metros e tocar uma vez na bola, logo após a saída. E não dá tempo de se lamentar, pois com 1 minuto de bola rolando, Guilherme dá uma cabeçada fatal, defendida com excelência por Fábio Costa, que passou boa parte daquele campeonato machucado, mas retornou para brilhar na fase final. Por falar em machucado, se dá a saída precoce de Diego. Em seu lugar, entra Robert.
Aos 10 minutos, aconteceu (acredite) a primeira falta do jogo. Robert cobra na área, Alex cabeceia e é a vez de Doni praticar grande defesa. Na sequência do jogo, o que se vê são os times buscando o ataque, mas passes errados, marcações bem feitas e finalizações sem perigo não dão muita empolgação ao jogo. O melhor que se viu na sequência foi um chute de Guilherme de fora da área aos 31', que passou por cima do gol.
Porém as características que tornaram aquele jogo histórico se desenharam passados pouco mais de 35 minutos de jogo: Renato rouba a bola e passa pra Léo, que encontra Robinho aberto pela esquerda. Ele recebe e avança de frente pro gol, até encontrar Rogério. Daí a criatividade e a habilidade de um craque permitem-lhe fazer lances que fiquem gravados para sempre. Robson de Souza, diante do marcador, ficaria a partir dali eternizado pelas suas "pedaladas": passou os pés por cima da bola 8 vezes, quando decidiu, dentro da área, escapar da marcação. Porém, Rogério põe a perna no caminho e derruba o garoto de 18 anos. Pênalti.
Qual ângulo você prefere?
Robinho pegou a bola e a responsabilidade. Naquele momento, não era mais um garoto, ou simplesmente um dos craques do time, mas sim o homem do jogo. A bola estava na marca da cal, Robinho se preparando para bater, Doni esperando no meio do gol. Robinho parte, pé direito na bola e GOL! Bola pra um lado, goleiro pro outro. O Santos abre o placar e o título de campeão está por pouco.
Ao Corinthians agora resta fazer 3 gols. E o time paulistano parte pra cima. São quase 40 minutos, e Fabinho manda uma bomba que passa raspando na trave direita da meta santista. Dois minutos depois, Fábio Costa corta o cruzamento e Gil manda por cima.
O jogo fica mais eletrizante ainda nos últimos segundos da primeira etapa: Vampeta dá um belíssimo passe para Kléber que fica cara a cara com Fábio Costa, que sai com tudo pra defender e ainda consegue chegar à lateral de campo para dar um bicão pra arquibancada. O goleiro santista volta o mais rápido que pode para a sua baliza, enquanto Kléber cobra o lateral para Gil, que no meio de dois marcadores devolve ao lateral-esquerdo. Logo depois vem o cruzamento para Guilherme, que cabeceia para mais uma defesa incrível do goleiro santista. Com três defesas de alto grau de dificuldade, surge mais um nome para ser lembrado daquele inesquecível 15/12/2002.
Fábio Costa teve atuação decisiva na conquista do título.
Começam então os últimos 45 minutos (mais acréscimos) da final. Seria um 2º tempo como poucos no futebol brasileiro. O Corinthians começa no ataque, mas o Santos se aproveita dos erros alheios para tentar um segundo gol que garantiria a taça. Aos 5 minutos, Léo parte na esquerda e cruza para trás, Elano ajeita de cabeça e Robinho dá um toquinho para surpreender Doni de cobertura. A bola vai por cima do gol.
A partida alcançaria contornos ainda mais dramáticos aos 9 minutos, com uma falta próxima ao bico da área. Rogério cobra para Kléber, que ajeita de volta. O cruzamento quase sai, mas Deivid põe a bola de volta na pequena área e Guilherme deixa Gil em plenas condições de empatar a partida, porém o camisa 10 corinthiano chuta longe. Alívio para os santistas, desespero para os corinthianos.
Aos 11', Fabinho dá um tapa na cabeça de Robert na lateral de campo. Leão, como de costume, reclama sem parar da arbitragem e cobra uma atitude do bandeirinha. Após marcar falta próxima à grande área santista, o árbitro Carlos Eugênio Simon expulsa o treinador do Santos. As coisas já não estavam tão fáceis... na cobrança da falta, Rogério chuta com força e a bola ainda dá um desvio em Paulo Almeida; mas com os reflexos em dia, a muralha santista não deixa a bola entrar. Na sequência, Rogério, o homem das bolas paradas do adversário, bate o escanteio e Fábio Costa novamente é obrigado a intervir. O lance também é marcado pela discussão ríspida entre o goleiro, o zagueiro André Luís e o volante Paulo Almeida. Novo escanteio é cobrado logo depois, e Fábio Costa de novo faz uma defesa espetacular.
Dali pra frente o Santos não conseguia mais acertar seus ataques, só conseguia dominar o meio de campo, ao passo que o Corinthians se defendia muito bem e tentava a todo custo pôr a defesa contrária em perigo. Porém, os chutes a gol que saíam iam para todo lugar, menos para o alvo.
E para colocar mais ingredientes no jogo, aos 27' um torcedor santista eufórico ainda invade o gramado. Jogo parado. Logo depois, o lesionado William deixa o gramado sob gritos de "É Campeão!". A menos de 20 minutos do fim, impossível pensar que no ritmo que o jogo andava o Coringão seria capaz de reagir. Chegávamos a 30 minutos de jogo, e Gil dá um belo cruzamento para Deivid, que finalmente consegue superar a barreira imposta por Fábio Costa. O atacante rapidamente pega a bola para colocá-la no centro do gramado, e pergunta para Parreira o tempo que resta. A resposta: 15 minutos. Começavam os 15 minutos de maior sofrimento que se pode ter em um jogo de futebol.
O tempo corria a nosso favor. Ao mesmo tempo, a defesa peixeira se fechava o máximo que podia. O Corinthians pressionava, e o jogo tinha muitas faltas no setor intermediário. Numa delas, na lateral, alguém pode ter tido um infarto, porque o cruzamento de Vampeta aos 39' incendiaria o Morumbi por intermédio de Anderson. Festa generalizada da Fiel. Até perto da minha casa, em Mongaguá, já se ouviam alguns gritos e fogos de artifício. Já não havia mais nada decidido. E pior: parecia que já tínhamos perdido. Mesmo com a vantagem de 1 gol na soma dos resultados (2x0+1x2=3x2), àquela hora o fantasma do gol no último minuto no Paulistão do ano anterior ainda nos assombrava. Uma derrota de virada, e agora o Corinthians precisando fazer só mais um gol para ser campeão. O que parecia impossível virou quase realidade, os corinthianos vibravam e sonhavam, os santistas agora viviam um pesadelo horrível, chega a ser impossível descrever mais. E só quem viu sabe.
Pra apertar mais ainda o coração, Kléber cobra uma falta pra área, mas o cruzamento é muito mal-feito. Não dá pra imaginar que se passaram só quatro minutos. Pareciam uns quinze, vinte, mas foram só quatro minutos. Este foi o tempo que o time de camisas listradas demorou para transformar nervosismo e apreensão em alegria e festa. Tudo começou com um chutão pra frente de Doni, a bola rebatida por Alex vai parar em Renato, que toca rápido pra Robinho. O "menino-craque", segundo Galvão Bueno, passa pra Elano, que já lhe devolve a bola. O moleque habilidoso escapa do carrinho de Anderson, invade a área pela direita e centra para Elano, que põe fim ao calvário santista. Agora sim, já podíamos ter a certeza de que éramos os campeões, mas as coisas não acabaram por aí.
O juiz também entrou no ritmo da festa. Aos quase 45', Fabrício para Alexandre num lance de extrema violência e descontrole, que só lhe rendeu um cartão amarelo. Aos 46' Léo dá um carrinho e também se livra de uma expulsão. A falta é cobrada e a zaga afasta para escanteio. Rogério o cobra e Alex tira de cabeça. Léo recebe e lança Robinho. O camisa 7 avança e encontra não só a marcação de Vampeta e Kléber, mas também a chance de exibir o futebol-arte. Ele chamou os dois corinthianos para uma dança humilhante, que não poderia acabar de outro jeito: Vampeta desarma, mas a bola sobra para Léo que avança até a entrada da área e define de pé direito, sem chances para Doni: a comemoração é pelo gol, pela bela e emocionante vitória de virada, e pelo sétimo título de campeão brasileiro, o primeiro título do Santos no século XXI, no ano do Penta.
Não demora muito para o campo ser tomado pelos felizes torcedores santistas, que vieram saudar de perto os heróis da conquista.
Veja a ficha técnica e vídeos com os melhores momentos deste grande jogo:
S.C. CORINTHIANS P. 2 x 3 SANTOS F.C.
Data: 15 de dezembro de 2002
Local: Estádio Cícero Pompeu de Toledo (Morumbi) - São Paulo/SP
Árbitro: Carlos Eugênio Simon
Gols: Robinho (de pênalti) aos 37' do 1º tempo; Deivid aos 30', Anderson aos 39', Elano aos 43' e Léo aos 47' do 2º tempo.
Cartões amarelos: Fabinho, Fábio Luciano e Fabrício (Corinthians); Maurinho, Fábio Costa e Léo (Santos).
Corinthians: Doni; Rogério, Anderson, Fábio Luciano e Kléber; Vampeta, Fabinho (Fabrício) e Renato (Marcinho); Gil, Deivid e Guilherme (Leandro). Técnico: Carlos Alberto Parreira
Santos: Fábio Costa; Maurinho, André Luís, Alex e Léo; Paulo Almeida, Renato, Elano e Diego (Robert, depois Michel); Robinho e William (Alexandre). Técnico: Émerson Leão
Melhores momentos:
Uma final inesquecível, um jogo antológico, um dos maiores jogos que o clássico Santos x Corinthians já viu, um dos títulos mais marcantes da história do clube. Mais uma geração dos Meninos da Vila que superou a descrença dos torcedores e calou os críticos. Superou os seus rivais e alcançou o topo do futebol brasileiro em 2002.
Com o título, o Santos voltaria a disputar a Copa Libertadores após 19 anos.
Robinho carrega o troféu de campeão brasileiro de 2002, conquista mais que merecida
Neste mês, Barueri sediou a segunda edição da Copa Libertadores de Futebol Feminino. E assistiu à confirmação de que o representante brasileiro na competição continental é o clube mais bem sucedido das Américas na modalidade. A confirmação disto foi a conquista, neste último domingo, do bicampeonato da Libertadores pelo alvinegro praiano, com um elenco que é a base da Seleção Brasileira.
Assim como em 2009, o Peixe fez uma campanha impecável, vencendo todos os seus jogos, com a artilharia da competição (neste ano, Grazi e Cristiane fizeram 7 gols cada e terminaram como goleadoras máximas do torneio), e desta vez, sem sofrer nenhum gol. As atuais campeãs brasileiras souberam representar muito bem a fama do futebol de sua terra e foram superiores durante toda a competição, até a decisão contra o Everton, do Chile. O jogo foi muito disputado: após um primeiro tempo bastante truncado, as Sereias da Vila, mostrando um preparo físico campeão, foram dominando a partida e criando ótimas chances de gol, evitadas pela ótima goleira adversária. Aos 44 minutos, o melhor ataque da Copa Libertadores superou a defesa do time chileno, com um golaço de falta de Maurine, que não veste a 10 deste time à toa.
O Santos também mostra que é um gigante do futebol tanto no masculino quanto no feminino, ambos bicampeões sul-americanos e líderes em conquistas nacionais.
Lista dos participantes da Libertadores Feminina 2010:
A 1ª fase consistia nos times jogando entre si dentro de seus grupos em turno único. As duas equipes melhor colocadas se classificam para as semifinais. Seguem abaixo os placares de todos os jogos da 1ª fase da Copa Santander Libertadores Feminina de 2010, com os jogos do Santos em destaque, e também com os vídeos das partidas.
Grupo A
02/10/2010 Santos 2 x 0 Caracas
02/10/2010 Deportivo Quito 1 x 1 River Plate
05/10/2010 Formas Íntimas 3 x 1 Caracas 05/10/2010 Santos 9 x 0 River Plate
07/10/2010 River Plate 1 x 4 Caracas
07/10/2010 Formas Íntimas 0 x 1 Deportivo Quito
09/10/2010 Santos 4 x 0 Formas Íntimas
09/10/2010 Deportivo Quito 1 x 0 Caracas
11/10/2010 Santos 7 x 0 Deportivo Quito
11/10/2010 Formas Íntimas 1 x 2 River Plate
Grupo B
04/10/2010 Boca Juniors 4 x 1 Florida
04/10/2010 Everton 9 x 0 Universidad de Iquitos
06/10/2010 Universidad de Iquitos 1 x 2 Florida
06/10/2010 Universidad Autónoma 1 x 2 Everton
08/10/2010 Boca Juniors 12 x 1 Universidad de Iquitos
08/10/2010 Universidad Autónoma 6 x 1 Florida
10/10/2010 Boca Juniors 2 x 2 Universidad Autónoma
10/10/2010 Everton 6 x 0 Florida
12/10/2010 Boca Juniors 1 x 1 Everton
12/10/2010 Universidad Autónoma 7 x 0 Universidad de Iquitos
As classificações dos grupos da Libertadores ficaram assim:
Grupo A
Grupo B
Nas semifinais, o 1º colocado de um grupo enfrentava o 2º do outro. Os vencedores dos jogos iriam para a final do campeonato, enquanto os perdedores iriam decidir o 3º lugar.
O Santos encarou o Boca Juniors, numa verdadeira repetição de um grande duelo que, no futebol masculino, já decidiu duas finais da Copa Libertadores. No futebol feminino, o jogo também foi de alto nível, e terminou com vitória brasileira sobre as argentinas.
Semifinais (15/10/2010):
Everton 0 x 0 Deportivo Quito (nos pênaltis: Everton 5 x 4 Deportivo Quito)
Santos 2 x 0 Boca Juniors
Na disputa do 3º lugar, o Boca Juniors venceu o Deportivo Quito e coroou sua bela campanha com uma vitória. Na grande final, duas equipes invictas e que terminaram seus grupos em 1º na fase inicial: o jogo entre Santos e Everton era, de fato, o jogo que merecia ser a final. Venceu o time campeão sul-americano de 2009, ou melhor, o time agora bicampeão sul-americano feminino de clubes: mais uma taça para a Vila Belmiro.
Decisão do 3º lugar (17/10/2010):
Deportivo Quito 1 x 2 Boca Juniors
FINAL (17/10/2010):
Everton 0 x 1 Santos
Ficam aí meus agradecimentos a estas mulheres guerreiras que vestiram o manto sagrado e o levaram mais uma vez ao topo. Parabéns, Sereias da Vila, BICAMPEÃS DA AMÉRICA!!!